Vereador escancara colapso da saúde em Rio das Ostras e expõe omissão da gestão Carlos Augusto

Discurso de Marciel Gonçalves evidencia caos no atendimento, suspeita de uso político da máquina pública e pressão pela queda do secretário de Saúde

A fala do vereador e presidente da Câmara, Marciel Gonçalves, não é apenas um desabafo isolado: é o retrato de um sistema de saúde que, em Rio das Ostras, parece ter perdido o compromisso básico com a vida. Quando um representante do povo sobe à tribuna para dizer, em alto e bom som, que “a saúde de Rio das Ostras está matando a nossa população todos os dias”, não se trata de exagero retórico, mas de um alerta grave — e repetido. Dois mandatos cobrando melhorias de um governo e, agora, sob outra gestão, a sensação é de que o caos apenas mudou de nome, mas continua o mesmo.

Os relatos são, no mínimo, chocantes: falta de medicamentos, ausência de especialistas, dificuldade para marcar e realizar cirurgias, famílias peregrinando por hospitais, UPAs e pronto-atendimentos para, muitas vezes, voltar com a notícia de morte de um ente querido. É inadmissível que, em plena cidade em desenvolvimento, a população se sinta indo “pra morrer” quando procura atendimento público. Quando o vereador relata que as pessoas ligam para ele como se fosse médico, em desespero, isso expõe a falência de uma gestão que não consegue garantir o mínimo: atendimento digno e eficiente.

Mais grave ainda é a denúncia de uso político de estruturas da prefeitura, como a Secretaria de Saúde e a Subsecretaria de Esporte, para eventos de campanha de deputados. Se confirmado, esse cenário revela um desvio de finalidade intolerável: enquanto o povo enfrenta filas, humilhação e abandono nos serviços de saúde, espaços públicos são supostamente transformados em palanque eleitoral. É o retrato do que há de pior na velha política: a máquina pública servindo a interesses particulares, e não à população que a sustenta.

Ao cobrar a exoneração do secretário Fábio Simões e responsabilizar diretamente o prefeito Carlos Augusto, Marciel vai ao ponto central: não há crise na saúde sem comando político por trás. Quando o vereador pergunta “até quando a saúde de Rio das Ostras vai estar pouco se lixando para a população?”, ele verbaliza a revolta de milhares de munícipes. Não basta discurso, nota oficial ou promessa vaga. É hora de o governo municipal assumir a gravidade da situação, trocar quem for preciso e, principalmente, mostrar com ações concretas que a vida da população vale mais do que qualquer cálculo político.

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