Você sabe quem é, de verdade, o seu vereador?

Amizade, favores e “gente boa”: como escolhas baseadas em emoção colocam pessoas sem preparo na Câmara e travam o futuro da sua cidade

Antes de virar vereador, muitas pessoas eram mecânicos, pastores, pedreiros ou trabalhadores comuns, conhecidos por ajudar, fazer favores e serem “gente boa”. Essas trajetórias são dignas e têm valor, mas isso não transforma ninguém, automaticamente, em legislador. Ser vereador não é extensão de amizade, nem prêmio por simpatia, nem cargo “para quem é do povo” apenas no discurso. É um posto que exige responsabilidade pública e clareza de função.

O vereador é quem faz leis, fiscaliza o prefeito e participa diretamente das decisões sobre o futuro da cidade. Para isso, precisa de conhecimento, capacidade intelectual, discernimento e postura de legislador. Quando o eleitor vota no compadre, no amigo ou troca o voto por um favor, acaba elegendo alguém sem preparo técnico e sem noção do papel que o cargo exige. Depois, reclama que a cidade não anda, que falta fiscalização e que tudo passa na Câmara sem questionamento.

Também há uma confusão perigosa entre favor e mandato. Muita gente ainda acha que “vereador bom” é aquele que resolve problemas individuais, o que, na prática, é desvio de função. Enquanto o mandato é usado para atender casos particulares, a cidade fica sem leis de qualidade, sem fiscalização séria e sem direção. A estrutura coletiva – saúde, educação, transporte, planejamento urbano – fica em segundo plano.

Quando vem a pergunta “por que a cidade não se desenvolve?”, a resposta incomoda: porque a escolha foi errada. Enquanto o voto for baseado em amizade, favor ou emoção, em vez de preparo e compromisso público, a cidade continuará pagando essa conta. E não é só a geração atual que sofre: seus filhos também vão arcar com as consequências de uma Câmara ocupada por gente que nunca esteve pronta para o cargo. 

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