Quaquá enfrenta desgaste interno e já é visto como problema no PT

Postura de “dono do partido” e atritos com nomes nacionais, como Janja, ampliam pressão contra o vice-presidente nacional da legenda

A postura de Washington Luiz Cardoso Siqueira, o Quaquá (foto), tem gerado incômodo crescente dentro do PT. Vice-presidente nacional do partido e ex-prefeito de Maricá, ele é acusado por setores da sigla de agir como se fosse “dono do partido” e senhor da vontade dos demais integrantes da legenda – comportamento que, segundo petistas mais comprometidos com o projeto coletivo, pode acabar resultando em sua saída forçada dos quadros partidários.

Na avaliação de muitos militantes e dirigentes, Quaquá se comporta como se fosse indispensável ao PT e como se carregasse um grande capital eleitoral, ignorando que sua influência política não ultrapassa, de forma consistente, os limites de Maricá. A leitura interna é de que o partido é muito maior do que ele e sua família, e que esse descompasso entre o tamanho real de sua força e sua autopercepção tem gerado atritos desnecessários.

Um episódio recente ilustra o desgaste. Em maio, Quaquá tentou impor seus nomes de confiança na suplência da candidatura de Benedita da Silva ao Senado. A tentativa esbarrou em resistências e acabou barrada. Antes disso, ele chegou a aventar o nome do cantor Neguinho da Beija-Flor para a disputa ao Senado, proposta que não encontrou eco e ficou restrita ao seu próprio entorno.

Agora, o mal-estar se aprofunda com relatos de que Quaquá teria feito restrições à primeira-dama Janja Lula da Silva. Dentro do PT, qualquer movimento de desgaste direcionado a figuras próximas ao presidente Lula é visto com extrema sensibilidade. O resultado é um aumento no descontentamento com o dirigente, especialmente nos espaços de articulação interna da sigla.

Diante desse cenário, já há quem defenda abertamente que Quaquá busque outro caminho para seguir sua trajetória política. A percepção dominante entre críticos é que, hoje, ele mais atrapalha do que contribui para o projeto coletivo do PT, alimentando crises internas em vez de fortalecer a unidade do partido.

 

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