O que deve aparecer hoje (28) nas redes sociais como uma decisão “pessoal” de Cláudio Castro de abandonar a candidatura ao Senado está longe de ser um gesto espontâneo. Na prática, o ex-governador foi rifado pelos caciques do PL, que há dias o pressionam nos bastidores a desistir. A versão oficial será de retirada voluntária; a real é que, se não saísse do caminho, seria sumariamente descartado.
Segundo um aliado que ainda se mantém leal a Castro, o ex-governador tem vivido dias de puro infortúnio e já se prepara psicologicamente para notícias ainda piores. Depois de ser alvo de duas operações da Polícia Federal em apenas 15 dias, o clima ao redor dele é de desgaste extremo e crescente isolamento.
Muita gente no Rio acredita que, com a saída de cena de Castro, o PL entraria automaticamente em campo para turbinar a pré-candidatura ao Senado de Márcio Canella, hoje no União Brasil. Mas no PL fluminense nada é tão simples – nem garantido. A expectativa, nos bastidores, é de que o partido anuncie o nome do ex-secretário de Polícia Civil Felipe Curi como aposta para a disputa, a menos que Flávio Bolsonaro resolva recalcular sua rota.
Há preocupação real com as investigações do escândalo do Rioprevidência. Em avaliações reservadas, dirigentes admitem temer que o caso acabe respingando em Flávio, o que poderia afetar diretamente seus planos nacionais. Diante desse cenário, ganhar força a hipótese de que ele opte por tentar a renovação do mandato no Senado, em vez de seguir adiante no projeto presidencial.
O fato é que o ambiente no PL é de tensão máxima. Por mais que tentem mostrar normalidade em público, o clima é de forte apreensão. Não seria surpresa se o próprio pré-candidato ao governo do Estado, Douglas Ruas, também decidisse jogar a toalha e buscar uma reeleição mais modesta e viável como deputado estadual – uma campanha bem menos dispendiosa, em todos os sentidos, e consideravelmente mais fácil.


































