Justiça mantém denúncia contra esquema de fake news em São João de Meriti

Caso do chamado “Teatro Invisível” segue na Justiça Eleitoral, que marcou para 19 de junho a primeira audiência do processo

A Justiça Eleitoral decidiu manter a denúncia criminal contra 11 pessoas acusadas de participar de um suposto esquema de disseminação de fake news nas eleições municipais de São João de Meriti, na Baixada Fluminense. O grupo é investigado por atuar no chamado “Teatro Invisível”, uma estratégia apontada pela Polícia Federal como forma disfarçada de influenciar eleitores. A primeira audiência do processo foi marcada para o dia 19 de junho, por decisão do juiz eleitoral Marco Couto, da 8ª Zona Eleitoral.

O inquérito apura a existência de uma organização voltada à propagação coordenada de notícias falsas e ataques a adversários políticos durante a pré-campanha e a campanha de 2024. De acordo com a PF, o “Teatro Invisível” consiste em encenações em locais públicos que simulam conversas espontâneas, mas que na verdade fazem parte de uma ação planejada para espalhar boatos e manipular a opinião de eleitores.

Com a decisão da Justiça, a ação penal entra agora na fase de instrução. Nessa etapa, serão ouvidas testemunhas e poderão ser produzidas novas provas para esclarecer os fatos e definir o grau de participação de cada acusado.

Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), os investigados teriam agido em conjunto para favorecer a candidatura do deputado estadual Valdecy da Saúde (PL) à prefeitura de São João de Meriti. Na eleição, ele terminou em segundo lugar, sendo derrotado no primeiro turno por Leo Vieira (Republicanos), eleito prefeito.

Os acusados respondem pelos crimes de associação criminosa, divulgação de fatos inverídicos na propaganda eleitoral, calúnia eleitoral e difamação eleitoral. O MPE afirma que o grupo organizou campanhas de desinformação em redes sociais, aplicativos de mensagens e também em ações presenciais.

De acordo com as investigações da Polícia Federal, os participantes percorriam pontos de ônibus, mercados, padarias, filas de banco e bares, disseminando informações falsas sobre candidatos adversários. A tática, segundo a PF, tinha como objetivo criar um clima de conversa informal entre “pessoas comuns”, mas com conteúdo planejado para atacar determinados políticos e influenciar o voto de quem estivesse por perto.

 

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