Prefeito de Casimiro inaugura até terreno vazio. Obra que é bom, nada

Com deputado, alunos tirados da sala e direito a tenda, Ramon Gidalte transforma um lote de terra batida em espetáculo oficial, enquanto a creche, o poliesportivo e o calçamento seguem só no discurso

Da tribuna da Câmara, o vereador Lelei da Marmoraria descreveu a nova fronteira da gestão pública em Casimiro de Abreu: a inauguração de um terreno vazio. Não é obra inacabada, não é reforma pela metade, não é pintura de última hora para enganar eleitor. É simplesmente nada. E esse nada ganhou tenda, plateia, discurso e até presença de deputado.

O prefeito Ramon Gidalte levou o deputado Lindbergh Farias, chamou “várias pessoas”, montou toda a encenação e ainda tirou alunos de dentro da sala de aula para assistir à “cerimônia histórica” em Barra de São João. No local, nenhum tijolo, nenhuma coluna, nenhum saco de cimento. Só chão batido, placa e promessa: ali “vai ser” uma escola creche. Por enquanto, só existe o futuro no microfone e o presente no Instagram.

Lelei fez a ressalva: não está atacando o deputado; se está há 30 anos na política, algo deve ter feito. A crítica vai direto para o marketing da prefeitura, que descobriu uma nova modalidade de obra: a obra imaginária. Em vez de concluir escola, creche, poliesportivo ou calçamento, inaugura-se a intenção. A fita é cortada na fantasia, e o cidadão que espere a realidade chegar — se chegar.

O bairro São João sabe bem como essa história costuma terminar. O calçamento foi anunciado na véspera de eleição e, segundo o vereador, até ontem não saiu do papel. Agora, a cena se repete com outro cenário: terreno baldio vendido como futuro prédio público. A cada eleição, muda o discurso, mas a lógica é a mesma: muito palco, pouca obra.

Em seus 56 anos, Lelei diz nunca ter visto algo igual: inaugurar oficialmente o que não existe. A novidade é triste e pedagógica. Ensina aos estudantes levados para a plateia que, na política local, aparência vale mais que entrega, foto vale mais que concreto, e promessa vale mais que tijolo. Em Casimiro de Abreu, a gestão conseguiu um feito raro: transformar o vazio em evento. E a obra que a população realmente precisa continua sendo, ironicamente, só uma ideia no terreno da promessa.

O espaço segue aberto para manifestação do prefeito Ramon Gidalte e do vice Marquinho da Vaca Mecânica.

 

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