Quando o político profissional perde a eleição, mas ganha cargo: você conhece algum?

Enquanto o eleitor briga, perde amigos e volta pro batente, o “derrotado” nas urnas é premiado com gabinete, assessoria e salário gordo pago com dinheiro público

Você fez barraco em rede social, perdeu amizade, carregou bandeira e defendeu político como se fosse da família. Tinha gente puxando saco que chegava a doer de assistir. Passada a eleição, a pergunta que ninguém gosta de encarar é direta: você sabe o que o seu ex-prefeito faz hoje? E aquele candidato que perdeu? E o vereador que você defendia com unhas e dentes, sabe onde está agora? A resposta dói: muitos estão empregados, tranquilos e influentes dentro da própria máquina pública.

Gabinetes, assembleias, cargos especiais, assessorias bem remuneradas: a derrota nas urnas virou só detalhe no currículo do político profissional. Ele perde o mandato, mas não perde o lugar no sistema. Quando não ganha eleição, ganha cargo. Quando não vira prefeito, vira assessor. Quando sai da prefeitura, entra em alguma secretaria, diretoria ou órgão público. E junto com ele, esposa, irmão, amigo de campanha: muita gente passa a viver muito bem depois da eleição, tudo pago com dinheiro do contribuinte.

Enquanto isso, o povo que brigava por eles continua acordando cedo, encarando ônibus lotado, serviço pesado, salário apertado, impostos em cascata e nenhuma porta lateral aberta. Você que se desgastou por candidato em discussão de comentário, que cortou relações por causa de política, voltou para a mesma rotina de sempre, sem cargo, sem benefício, sem privilégio. Político profissional quase nunca perde; quem perde é o eleitor que confunde voto com idolatria, política com torcida organizada e acaba usado como massa de manobra por um sistema que protege a si mesmo.

É por isso que, antes de defender político cegamente, é preciso parar e pensar. Política não é religião, nem time de futebol, nem amizade íntima: é relação de interesse público, fiscalizada e limitada. Quem idolatra político quase sempre termina usado pelos políticos. Em todos os cantos do país, o roteiro se repete: você luta, defende, se expõe e depois é deixado para trás; eles, mesmo “derrotados”, seguem muito bem, obrigado.

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