Na noite desta sexta-feira (6), o partido Democracia Cristã (DC) promoveu um evento para receber seu possível presidenciável, o ex-deputado federal Aldo Rebelo. A presença do convidado nacional, porém, não foi o único foco das atenções. Quem tentou transformar o ato em palco pessoal foi o ex-juiz Wilson Witzel, governador cassado do Rio de Janeiro, que busca ser o candidato da legenda à sucessão de Cláudio Castro.
Witzel, que tentou disputar o governo do estado em 2022, mas teve sua candidatura impugnada, pegou o microfone para repetir a narrativa de que teria sido injustiçado no processo de impeachment. O afastamento do então governador foi aprovado por unanimidade pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). No discurso, ele reforçou a tese de perseguição e tentou sensibilizar os presentes.
A fala, no entanto, não pareceu empolgar a plateia. O clima no salão mudou mesmo quando um personagem bem menos “pomposo” politicamente tomou espaço no imaginário dos presentes: o ex-candidato a prefeito de Magé Carlos Henrique Rios Lemos, o Boneco. Sem mandato, sem máquina e sem planos para disputar qualquer cargo neste ano, ele acabou sendo o mais ovacionado do encontro.
Boneco concorreu à Prefeitura de Magé em 2020. Com uma campanha modesta, bancada com apenas R$ 15.300 — valor arrecadado entre amigos —, ele surpreendeu ao obter 20.429 votos, terminando em quarto lugar na disputa. A trajetória, vista como símbolo de “campanha raiz” e de proximidade com o eleitor comum, foi lembrada no evento e rendeu aplausos calorosos.
Enquanto Witzel insistia em rever o passado e reconstruir sua narrativa política, Boneco, de forma despretensiosa, acabou encarnando o oposto: a figura do político sem estrutura, sem grande projeção, mas ainda assim capaz de mobilizar simpatia e reconhecimento.
No encontro em que o DC buscava projetar Aldo Rebelo como alternativa nacional e Witzel como opção ao Palácio Guanabara, quem acabou roubando a cena foi o personagem improvável da noite: o ex-candidato de Magé que, oficialmente, nem está na disputa.
O espaço segue aberto para manifestação dos citados na matéria.


































