O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAECO/MPRJ) denunciou à Justiça a ex-vereadora de Armação dos Búzios Gladys Pereira Rodrigues da Costa e outras três pessoas pelos crimes de associação criminosa e peculato. A denúncia é resultado de investigação própria do Ministério Público que apurou a existência de um esquema de “rachadinha” na Câmara Municipal de Búzios entre 2017 e 2020, com desvio de recursos públicos por meio de repasse irregular de salários de assessores.
A pedido do MPRJ, a Justiça expediu um mandado de prisão e outro de busca e apreensão contra a ex-parlamentar, ambos cumpridos na manhã desta terça-feira (24/02) por promotores do GAECO/MPRJ e por agentes da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ), no município da Região dos Lagos.
Ao chegar à delegacia após o cumprimento do mandado de prisão, a ex-vereadora reagiu de forma exaltada. Ela fez um gesto de “banana”, simulou o sinal de estar algemada e, em seguida, passou a ofender o prefeito da cidade, atribuindo-lhe a responsabilidade pela operação.
Segundo o que foi registrado no local, Gladys afirmou: “Quem mandou vocês aqui? O prefeito? Eu vou pegar o prefeito, vou te colocar na cadeia, seu vagabundo, pilantra, você que tinha que ir preso, ao invés de prender sua filha e seu pai que roubou as terras da cidade, roubou os nativos, prefeito bandido”.
De acordo com a denúncia, Gladys teria organizado, a partir do próprio gabinete, um sistema de arrecadação ilícita de parte ou até da integralidade dos vencimentos de assessores nomeados em cargos comissionados. Após o pagamento efetuado pela Câmara Municipal, os servidores eram orientados a sacar os valores em espécie e a repassá-los à então vereadora, seja diretamente em dinheiro, seja por meio de depósitos bancários.
A análise de movimentações financeiras realizada pela CSI/MPRJ identificou 87 depósitos em espécie na conta da denunciada entre 2017 e 2019, totalizando R$ 206.013,37. O Ministério Público sustenta que esses depósitos são compatíveis com o padrão de repasses exigidos dos assessores, configurando, em tese, o desvio de verbas públicas.
Entre as principais provas reunidas na investigação estão depoimentos de ex-assessores, que relataram a exigência sistemática de repasse de parte do salário como condição para permanência nos cargos. Também foram juntados comprovantes de depósitos bancários e relatórios de análise financeira, além de outros documentos colhidos em diligências investigativas.
A apuração do GAECO/MPRJ aponta ainda a indicação de familiares da ex-vereadora para cargos comissionados na Câmara, os quais também estariam inseridos no esquema de devolução de salários. Segundo o Ministério Público, alguns dos envolvidos confessaram a prática criminosa e celebraram Acordos de Não Persecução Penal, comprometendo-se com condições estabelecidas pela instituição em troca de benefícios legais.
Com a denúncia apresentada, caberá agora ao Poder Judiciário apreciar o recebimento da acusação. Caso a denúncia seja aceita, os investigados se tornarão réus em ação penal pelos crimes de associação criminosa e peculato, ambos relacionados ao suposto desvio de recursos pertencentes ao erário municipal de Armação dos Búzios.
O espaço segue aberto para manifestação do prefeito sobre as acusações feitas pela ex-vereadora.


































