Castro enfrenta nova ofensiva política após afastamento de Bacellar e pressão do PL cresce no Palácio Guanabara

Aliados relatam cobrança por apoio a Douglas Ruas na eleição indireta e citam prazo até o fim de fevereiro; pesquisa registra Castro na liderança para o Senado e PP acena com alternativa partidária

Segundo pessoas próximas ao governador Cláudio Castro, a rotina no Palácio Guanabara tem sido marcada por disputas internas e pressões constantes. Até recentemente, o principal foco de tensão seria o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, hoje afastado do cargo. Interlocutores do governo afirmam que Bacellar mantinha o governador sob cobrança permanente — cenário que teria se agravado por conta do caso Cefet, episódio que, de acordo com relatos de bastidores, segue como um dos elementos mais sensíveis no ambiente político do Executivo estadual e está associado a um processo com expectativa de julgamento em março, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Com Bacellar fora do posto e, portanto, sem a mesma capacidade de impor ritmo e condições, a pressão teria mudado de mãos. Agora, conforme aliados do governador, caciques do PL estariam buscando influenciar diretamente decisões do Palácio, determinando o que fazer, como fazer e quando fazer.

No centro da disputa está a eleição indireta e o desenho de apoios para o próximo movimento político. Lideranças do PL estariam exigindo que Castro retire o nome do chefe da Casa Civil, Nicola Miccione, da disputa e passe a apoiar Douglas Ruas. Ainda segundo essas fontes, circula também a hipótese de o partido intensificar a pressão com uma alternativa eleitoral: Marcelo Crivella seria cogitado como nome ao Senado, caso o governador não aceite o arranjo proposto.

O pano de fundo dessa queda de braço envolve, ainda, a leitura eleitoral para 2026. Pesquisa divulgada no dia 9 e registrada no TSE sob o número RJ-08419/2026, do instituto Futura Inteligência, aponta Cláudio Castro com 41,2% das intenções de voto para o Senado. Na sequência aparecem Benedita da Silva e Crivella, em empate técnico. Nos bastidores, a avaliação é que Crivella se tornou uma das peças mais relevantes na mesa de negociação — um instrumento político que ampliaria o poder de barganha contra o governador.

Ainda de acordo com pessoas que acompanham de perto as conversas, Castro teria recebido um prazo para bater o martelo: até o fim de fevereiro.

Mas a avaliação de que o PL teria força absoluta para “mandar” nos próximos passos do governador encontra resistência em outras legendas. Um dos sinais mais claros, apontam aliados, veio do PP. Dr. Luizinho, considerado o principal nome do partido no estado e um dos parlamentares com maior influência em Brasília, já teria deixado claro que o PP mantém as portas abertas para Castro — com espaço político garantido caso a relação com o PL se deteriore.

Nos corredores do poder, a leitura é simples: com Bacellar fora do tabuleiro, o jogo não ficou mais fácil — apenas mudou de adversário. E, por enquanto, o Palácio Guanabara segue no centro de uma disputa em que prazo, pesquisa e alianças pesam tanto quanto as decisões administrativas.

 

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