Paes, Washington Reis e o preço de flertar com o bolsonarismo no Rio

Aliança do prefeito com o chefe do MDB fluminense é vendida como apoiada por Lula, mas ninguém na grande política acredita que Washington subirá no mesmo palanque do petista

A afirmação do prefeito do Rio e pré-candidato a governador pelo PSD, Eduardo Paes, de que o presidente Lula “apoiou integralmente a aliança” com o bolsonarista de primeiro time e cacique do MDB no estado, Washington Reis, não convence ninguém na grande política.

Entre quem conhece bem o estilo Washington Reis de fazer política, a descrença é geral: poucos levam a sério a hipótese de vê-lo subir no palanque de Lula.

“Paes lidera as pesquisas e os números mostram que ele não precisa dos Reis para nada. Washington mesmo já disse que o compromisso dele é apoiar a candidatura a governador. Isso é o mesmo que afirmar que não se afastaria do bolsonarismo e que não pisaria no mesmo palanque que Lula. Ao aceitar a imposição do comandante do MDB em relação à vaga de vice, Eduardo acabou puxando um pedaço do bolsonarismo para o seu lado, e isso não pode dar certo”, diz um figurão que conhece muito bem como o ex-prefeito de Caxias faz política.

O preço alto de um apoio fraco nas urnas

Os números da última pesquisa divulgada para governador no Rio (100% Cidades/Futura, registrada no TSE sob o nº 08419/2026) ajudam a entender o desconforto. Washington Reis aparece com apenas 5,7% das intenções de voto, enquanto Eduardo Paes surge com 42,5%.

É nesses dados que se apoiam os que torcem o nariz para o embarque de Washington Reis na campanha de Eduardo. Para eles, se eleito, Paes poderá acabar pagando um preço muito alto por esse apoio.“Quantas secretarias os Reis vão querer? Será que vale a pena pagar o preço e ficar ouvindo o grupo dele dizer que foi ele o responsável pela eleição de Eduardo Paes?”, questiona o mesmo interlocutor.

O histórico eleitoral de Jane Reis: fiasco em Magé

Se Jane Reis for confirmada em convenção como candidata a vice-governadora, esta não será a primeira eleição que a irmã de Washington disputará.

Em 2020, ela atravessou a divisa com Magé para concorrer ao mandato de prefeita, levada por um grupo que acreditava poder repetir a façanha obtida pelo maior líder político que a Baixada já teve, José Camilo dos Santos, o Zito, nas eleições de 2000. Naquele ano, Zito conseguiu eleger a então primeira-dama de Caxias, Narrimam Felicidade, derrotando o então prefeito Nelson do Posto, que buscava a reeleição.

Com o slogan “A força que vai movimentar Magé”, Jane concorreu pelo MDB e obteve 7.966 votos, terminando na sexta e última colocação. O desempenho do MDB nas urnas foi tão ruim que o partido não conseguiu eleger sequer um vereador no município.

O espaço está aberto para manifestação dos citados na matéria.

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