Um encontro marcado para esta quarta-feira (19), na sede do MDB do Rio de Janeiro, para formalizar a declaração de apoio ao prefeito Eduardo Paes (PSD) na disputa pelo governo estadual, é comemorado por aliados do chefe do Executivo da capital. Nos bastidores, porém, a reunião também expõe um foco de tensão: a leitura, entre políticos da Baixada Fluminense, de que o presidente regional do partido, Washington Reis, tentaria condicionar o apoio à indicação de um de seus irmãos para a vaga de vice.
Washington Reis é reconhecido como liderança com influência consolidada em Duque de Caxias, município onde construiu sua trajetória eleitoral. Ainda assim, interlocutores da região contestam a capacidade de o dirigente “puxar” sozinho os demais prefeitos da Baixada. Segundo avaliações locais, parte dessas lideranças estaria mais alinhada ao ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa (PP), citado como nome com maior capacidade de articulação regional.
Na avaliação de políticos ouvidos na Baixada, o apoio do MDB pode ser relevante para a montagem de um palanque competitivo, mas a inclusão de um integrante da família Reis na chapa seria “um passo além”. Uma liderança com influência eleitoral na região resume o incômodo em tom crítico ao lembrar o histórico político de Washington: “Bolsonarista do primeiro time, ele dificilmente subiria no palanque de Paes com Lula presente; ao mesmo tempo, não deixaria de fazer campanha para Flávio Bolsonaro ou para qualquer nome que o PL venha a lançar à Presidência”.
Reis em números
Washington Reis soma cinco mandatos parlamentares e uma trajetória que alterna cargos no Legislativo e no Executivo municipal. Ao longo das eleições para deputado, totalizou 354.106 votos em cinco mandatos, segundo levantamento citado por aliados e adversários.
- 1994: eleito deputado estadual pelo PSC com 13.291 votos, entre os menos votados naquele pleito.
- 1998: reeleito com 33.026 votos, pelo PSDB, em período em que teve apoio do então prefeito Zito, de quem foi vice.
- 2002: já no MDB, obteve o terceiro mandato consecutivo na Alerj com 64.688 votos.
- 2010: após um mandato como prefeito, elegeu-se deputado federal com 138.811 votos.
- 2014: caiu para 103.190 votos na tentativa de reeleição à Câmara.
Comparações internas na Baixada
O desempenho percentual em disputas majoritárias também aparece como argumento de quem relativiza a força estadual do dirigente emedebista. A comparação mais recorrente é com o ex-prefeito de Belford Roxo Wagner Carneiro dos Santos, o Waguinho.
Waguinho venceu a eleição municipal de 2016 com 56,99%. No mesmo ano, Reis obteve seu segundo mandato de prefeito em Caxias com 54,18%, e foi reeleito em 2020 com 52,55%. Já Waguinho ampliou de forma expressiva seu desempenho em 2020, chegando a 80,40% dos votos válidos.
A comparação se estende ao desempenho proporcional em eleições para deputado federal. Daniela Carneiro, então primeira-dama de Belford Roxo, foi eleita em 2018 com 136.286 votos, mais que o dobro do total obtido por Gutemberg Reis, irmão de Washington, que somou 54.573 votos. Em 2022, Daniela foi reeleita com 213.706 votos, enquanto Gutemberg chegou a 133.612 votos — números que, na leitura de lideranças locais, reforçam a resistência a uma eventual “hereditariedade” na composição de chapa.
Apoio em disputa
Enquanto o entorno de Paes trata a adesão do MDB como ativo importante para a pré-campanha, lideranças da Baixada indicam que o partido pode agregar, desde que a negociação não se transforme em imposição. A reunião desta quarta-feira tende a indicar se o anúncio será apenas uma declaração de apoio — ou o início de uma queda de braço por espaços na futura composição.


































