A banalização do cargo de vereador se tornou uma espécie de “doença silenciosa” da política municipal. Muita gente ainda acredita que o grande problema da cidade é apenas o prefeito, mas ignora que o vereador não é figurante de rede social nem enfeite de sessão. Ele é o legislador, quem cria leis, fiscaliza o Executivo e cobra soluções reais para a população – pelo menos, esse é o papel na teoria.
Na prática, uma parcela considerável dos vereadores transformou o mandato em moeda de troca. Enquanto falta remédio e o povo espera horas por atendimento, há vereador negociando apoio político em troca de cargos para esposa, mãe e parentes, batendo ponto na prefeitura como pagamento por esse apoio. Essa lógica perverte o sentido do mandato e transforma a representação popular em balcão de negócios.
Esse tipo de atuação compromete diretamente a cidade. Vereadores que aprovam suplementações de verba sem questionar, que não investigam, não cobram e não se posicionam, não ajudam a governar: ajudam a afundar o município. Uma cidade abandonada raramente é resultado apenas de um mau prefeito; inexiste cidade desenvolvida com uma Câmara omissa ou fraca na fiscalização.
O problema se agrava quando a Câmara se torna conivente. Um Legislativo que fecha os olhos para erros do Executivo destrói o que ainda funciona de bom, contamina o ambiente político e arrasta para a descrença até os poucos vereadores honestos e atuantes. No final, a população passa a desacreditar de todos e a culpa é jogada genericamente “na política”, sem distinguir quem realmente é responsável.
Por isso, é preciso parar de terceirizar a culpa. Uma cidade com bons vereadores tende a se desenvolver, porque há fiscalização, cobrança e compromisso com o interesse público. Quando a cidade está em ruínas, quase sempre há uma Câmara conivente por trás. Fica a provocação: na sua cidade, tem vereador assim? E onde você mora, a Câmara ajuda a construir ou a afundar o futuro do município?


































