Desde o início do segundo mandato da prefeita de Japeri, Fernanda Ontiveros, a relação entre o Executivo e parte da Câmara Municipal vem se deteriorando. Nos bastidores da política local, vereadores de oposição têm intensificado a pressão sobre o governo, com foco especial nas secretarias de Saúde e Educação, consideradas estratégicas para a administração.
Nesta quinta-feira (9), o grupo conseguiu aprovar a abertura de um processo de impeachment contra a prefeita e o vice-prefeito, Carlos Januário. A medida pode levar à cassação dos mandatos de ambos e abrir caminho para a sucessão no comando da Prefeitura.
Paralelamente à instalação de comissões de investigação, os vereadores avançaram sobre outro ponto sensível: a alteração da Lei Orgânica do Município, equivalente à constituição municipal. A mudança incluiu um dispositivo que prevê a realização de eleição indireta em caso de vacância simultânea dos cargos de prefeito e vice, hipótese que poderia permitir ao próprio plenário escolher um novo chefe do Executivo.
Para a defesa da prefeita, a iniciativa representa uma “manobra inconstitucional” e integra uma “trama golpista” para afastar o atual governo e transferir o poder ao grupo político que hoje controla a maioria no Legislativo. Já os vereadores que apoiaram as medidas sustentam que as decisões seguem os ritos legais e respondem a suspeitas que precisam ser apuradas.
A crise amplia a instabilidade política em Japeri e coloca no centro do debate não apenas a permanência de Fernanda Ontiveros no cargo, mas também os limites de atuação entre os poderes no município.


































