Ex-procurador do Instituto Rio Metrópole é preso novamente na Operação Ouroboros

Novas mensagens encontradas em celular apreendido teriam revelado indícios de corrupção, lavagem de dinheiro e interferência em pareceres do órgão

O Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal do Ministério Público do estado do Rio de Janeiro (GAESF/MPRJ) obteve um novo mandado de prisão preventiva contra Marcelo Lopes da Silva, ex-procurador-geral do Instituto Rio Metrópole (IRM), denunciado na Operação Ouroboros. Ele foi preso em casa, no bairro da Lagoa, na tarde desta quarta-feira (16/09), por agentes da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ). Marcelo já havia sido detido na primeira fase da operação, mas teve a prisão revogada após decisão em habeas corpus.

A nova prisão foi determinada pela 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital após a análise do celular apreendido com o acusado indicar, segundo o GAESF/MPRJ, novos indícios de corrupção e lavagem de dinheiro. As investigações apontam que Marcelo teria orientado a então companheira, Thays Pinho Carneiro da Silva, a abrir um microempreendimento individual (MEI) para ser contratado pela Engeconsult, empresa que mantinha contratos milionários com o IRM e dependia da análise da Procuradoria chefiada por ele. O acordo previa o pagamento de R$ 30 mil, dividido em seis parcelas de R$ 5 mil, por supostos serviços administrativos.

De acordo com o Ministério Público, mensagens recuperadas no aparelho mostram que Marcelo teria pedido que as tratativas não fossem registradas por escrito. O contrato com a Engeconsult foi firmado no mesmo dia da criação do MEI e apresentava data anterior à constituição da empresa, com pagamentos previstos para a conta de Thays. As conversas também indicariam que o ex-procurador atuava para liberar pareceres de interesse do grupo, interferir em documentos inseridos no Sistema Eletrônico de Informações (SEI) e evitar o encaminhamento de casos a órgãos externos de controle. Com as novas provas, a denúncia foi aditada para incluir seis crimes de corrupção passiva e seis de lavagem de dinheiro contra Marcelo. O representante da Engeconsult, Hélio Augusto Machado Pessôa, passou a responder por seis novos crimes de lavagem de dinheiro, e a Justiça recebeu o aditamento.

A Operação Ouroboros investiga um suposto esquema de desvio de recursos do Instituto Rio Metrópole por meio de contratos que movimentaram R$ 86,28 milhões. Segundo a denúncia, valores pagos à Engeconsult e à R. Peotta Engenharia eram repassados ao Instituto BIO, entidade que não teria estrutura operacional compatível com os serviços contratados, e posteriormente sacados em espécie. A investigação começou após a apreensão, em janeiro, de R$ 500 mil em dinheiro transportados sob escolta armada. A apuração identificou 28 transferências das empresas para o Instituto BIO, no total de R$ 3,29 milhões, além de 13 saques que somaram R$ 3,02 milhões entre maio de 2025 e janeiro de 2026.

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