MP processa Prefeitura de Queimados por abandono da população em situação de rua

Ação civil pública aponta falhas graves na rede de assistência social, deficiência no CREAS e ausência de serviços básicos exigidos pelo Sistema Único de Assistência Social

A 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Nova Iguaçu ajuizou, nesta quinta-feira (30/07), uma ação civil pública contra o Município de Queimados para obrigar a Prefeitura a implementar e estruturar uma política pública de assistência social voltada à população em situação de rua.

A medida foi tomada após um procedimento investigatório revelar graves deficiências na rede socioassistencial municipal. As falhas foram confirmadas por inspeções técnicas e estudos elaborados pelo Grupo de Apoio Técnico do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GATE/MPRJ).

Segundo relatório técnico citado na ação, Queimados não possui uma estrutura compatível com as exigências do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Entre os problemas identificados estão o funcionamento deficiente do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), a insuficiência de profissionais e a ausência de planejamento adequado para atender pessoas em situação de vulnerabilidade.

MP exige criação de serviços

Na ação, o Ministério Público requer que o município seja obrigado a:

  • implantar serviços especializados para a população em situação de rua;
  • reforçar a estrutura e o quadro de profissionais do CREAS;
  • criar um Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP);
  • instalar unidades de acolhimento para adultos e famílias em situação de vulnerabilidade;
  • articular as políticas de assistência social, saúde, habitação, educação, trabalho e renda e segurança alimentar;
  • garantir uma atuação integrada dos órgãos públicos responsáveis pela proteção social.

Para o MPRJ, a precariedade da rede municipal compromete o atendimento de pessoas que dependem de políticas públicas básicas e expõe a população em situação de rua a uma situação de abandono institucional.

Caso a Prefeitura descumpra as determinações judiciais, a Promotoria solicita a aplicação de multa diária, em valor a ser definido pela Justiça.

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