O advogado pernambucano Antônio Rueda, presidente do União Brasil e uma das principais lideranças da Federação União Progressista, chegou ao Rio de Janeiro em 2024 com a missão de construir uma candidatura a deputado federal em um reduto onde sua eleição seria considerada difícil: o próprio estado de origem. A estratégia contou com o apoio do então candidato à Prefeitura de Belford Roxo, Marcio Canella, que se apresentou como principal articulador político da empreitada na Baixada Fluminense.
A aproximação entre os dois passou a orientar uma série de costuras eleitorais na região. Rueda, tratado como uma espécie de “candidato de Canella”, fez incursões pela Baixada e buscou ampliar seu alcance entre lideranças locais. Nesse movimento, também apareceu em agendas públicas e até no carnaval carioca, em uma escola ligada à chamada “segunda divisão”.
Com o desenho político já encaminhado, começaram as articulações envolvendo outros nomes que, assim como Canella, usam o sobrenome como marca eleitoral para tentar atrair votos. A expectativa era consolidar uma base de apoio que garantisse a Rueda uma disputa viável por uma cadeira na Câmara dos Deputados.
Mas a operação deflagrada nesta terça-feira (7) e a prisão de um dos investigados ligados ao entorno de Rueda alteraram o cenário. Nos bastidores, integrantes do PL passaram a defender uma revisão da estratégia e a manutenção de Canella na disputa eleitoral, agora para uma vaga de deputado federal — posto que vinha sendo reservado a Rueda.
Se essa movimentação se confirmar, Rueda pode perder seu principal cabo eleitoral no Rio. Para evitar esse desfecho, aliados devem intensificar ainda nesta semana as tratativas para convencer Canella a concorrer a deputado estadual, caso esteja juridicamente apto, o que permitiria preservar a presença do cacique do União Brasil na disputa fluminense sem a necessidade de retorno a Pernambuco.


































