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2 de fevereiro de 2026 - 08:31
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Sumidouro transforma escola em risco calculado — e precisa do MP para lembrar o óbvio

Com pior IDH do estado e Ideb em queda, município só reage à educação depois de 17 recomendações do MPF e MPT para tirar crianças de prédios precários, ônibus sucateados e estatísticas maquiadas

Intervenção do Ministério Público expõe que os “desafios estruturais e sistêmicos” da educação em Sumidouro já viraram rotina de risco para alunos e professores

Em 2025, o município com o pior IDH do Rio de Janeiro ainda precisa que o Ministério Público Federal e o Ministério Público do Trabalho expliquem o básico: escola não é depósito de criança e muito menos zoneamento de risco. O diagnóstico do MPEduc em Sumidouro é um retrato cruel de abandono planejado: queda no Ideb, professores sem 1/3 de jornada para planejamento, formação continuada praticamente inexistente, coordenação pedagógica reduzida a quatro profissionais para 23 escolas e o município ainda inabilitado a receber VAAR/Fundeb por incapacidade (ou conveniência) de cumprir condicionalidades. Em paralelo, a gestão segue gastando energia não em política educacional, mas em apagar incêndio — às vezes, literalmente: fiações antigas, curto-circuitos, botijão de gás do lado de rede elétrica e creche com risco de encosta, tudo funcionando “normalmente” até o MP bater à porta.

As 17 recomendações funcionam como um manual de sobrevivência para uma rede que o poder público trata como resto de governo: escolas sem biblioteca e sem quadra coberta, banheiros insalubres, mofo, reboco caindo, esgoto e bueiro aberto, alunos cadeirantes em prédios sem acessibilidade, transporte escolar terceirizado até o osso, sem planejamento de frota própria e com motoristas que dependem da boa vontade de fiscalização que nunca vem. Para piorar, o município ainda registra no Censo Escolar matrículas em tempo integral que simplesmente não existem, como se maquiar dado resolvesse sala sem ventilador e telhado que pinga. Quando MPF e MPT avisam que a omissão pode virar ação judicial, não se trata de exagero retórico: é a constatação de que, sem pressão externa e constrangimento público, a infância de Sumidouro continua sendo educada entre goteiras, fiação exposta e relatórios bonitos no papel.

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