A regra é clara, e em Magé ela parece estar ditando o ritmo dos bastidores: a legislação impede que um mesmo núcleo familiar governe um município por três mandatos consecutivos. Esse detalhe tem pesado no cenário político local e, segundo observadores, já estaria influenciando o comportamento do presidente da Câmara de Vereadores, Valdeck Ferreira, que age como se estivesse a um passo da cadeira principal do Executivo.
O motivo da agitação é simples. Tanto o prefeito Renato Cozzolino Harb quanto sua irmã, a vice-prefeita Jamile Cozzolino, podem deixar seus cargos até o dia 4 de abril para disputar as eleições de 2026. O primeiro turno será em 4 de outubro — e até lá, a estratégia da família é objeto de especulação.
Renato não esconde a possibilidade de concorrer ao governo do Estado ou compor como vice em uma chapa majoritária. Jamile cogita disputar vaga na Câmara Federal. Na Alerj, o grupo já conta com Vinícius Cozzolino, candidato natural à reeleição.
Caso a dupla renuncie, Valdeck assume o comando da Prefeitura. E, nesse cenário, abriria caminho para disputar a reeleição municipal em 2028. Mas parte da base já demonstra incômodo. Fontes relatam que o presidente da Câmara teria mudado de postura, evitando atendimentos e adotando comportamento considerado arrogante. “É como se o poder já tivesse subido à cabeça”, diz um aliado, visivelmente irritado com o clima criado.
A inquietação cresce também por fatores externos. O ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis, segue demonstrando apetite por Magé. Em 2020, tentou impor sua presença ao lançar a irmã à sucessão — um fracasso eleitoral. Agora, teria nova aposta para 2028: a vereadora Pereira, eleita no ano passado.
Para um observador experiente da política local, Renato estaria arriscando demais ao cogitar sair em 2026. “Ele deveria concluir o mandato, apoiar a irmã à Câmara Federal e manter o grupo unido para 2028. Quem conhece o estilo Washington Reis sabe do risco que ele representa. Dar espaço a ele seria um erro ainda maior agora, com esse pacto firmado pelos prefeitos do Rio e Maricá, que vai turbinar os repasses de royalties para Magé”, alerta.




























