
Entre janeiro e dezembro de 2025, a MV Soluções e Serviços recebeu cerca de R$ 4,2 milhões dos cofres públicos de Silva Jardim, segundo o sistema que registra despesas empenhadas e pagas. O dado chama atenção ainda mais porque a empresa acumula desgaste em Mangaratiba, onde houve suspensão de contrato e sindicância para apurar possíveis irregularidades — um histórico que deveria, no mínimo, acender o sinal amarelo para qualquer gestor que leve “controle e cautela” a sério.
O problema é que, quando o contribuinte vai conferir o que está publicado, a “transparência” parece ficar curta. No site oficial da Prefeitura aparecem os contratos 056/24 (R$ 938.958,18, seis meses, sinalização viária via adesão à ata 014 de Mangaratiba) e 073/24 (R$ 941.723,06, seis meses, manutenção de praças e quadras via adesão à ata 045 de Itaguaí). Somados, dão R$ 1.880.681,24 — bem abaixo dos R$ 4,2 milhões registrados como pagos. E sem termos aditivos publicados (e com o TCE-RJ apontando os mesmos valores), fica impossível saber, de forma clara e documentada, se houve acréscimos, reequilíbrios, novos instrumentos ou outra explicação formal para a diferença.

Quando a conta não fecha e o documento não aparece, quem perde é o cidadão — e quem ganha é a velha cultura de empurrar a fiscalização para “quem tiver tempo de adivinhar”. Se a gestão da prefeita Maira Branco tem justificativa, o caminho é simples: publicar aditivos, notas técnicas, planilhas e vínculos dos empenhos de modo rastreável, como manda a lógica da administração pública e exige o controle social. O espaço está aberto para manifestação dos citados na matéria.



























