“Saúde tratada com descaso”: vereadora denuncia atraso no pagamento de médicos em Casimiro de Abreu

Em pronunciamento firme, Rosimery Mangifesta aponta três episódios de atraso salarial no mesmo governo e cobra nota oficial com prazo para quitação

A vereadora Rosimery Mangifesta usou a tribuna da Câmara Municipal para denunciar, mais uma vez, o não pagamento dos médicos que atuam no Hospital Municipal de Casimiro de Abreu. Segundo a parlamentar, o problema já se tornou recorrente na atual gestão do prefeito Ramon Gidalte, chegando ao que ela classificou como o “terceiro calote” contra os profissionais de saúde.

De acordo com o pronunciamento, além dos médicos, funcionários de serviços gerais também chegaram a ficar sem receber até a semana passada. Rosimery relatou ter conversado com médicos que acumulam, segundo ela, cerca de 55 dias em salários atrasados. A situação, afirma, tem levado muitos profissionais a pedir demissão e abandonar o município.

“Precisamos de médicos, e médicos bons, com compromisso e experiência, para atender nossos filhos, nossos munícipes. Mas a maioria está pedindo demissão, eles não querem ficar”, disse a vereadora, destacando que a organização social (OS) responsável pela gestão estaria devendo “muito” aos profissionais.

Ela criticou a falta de posicionamento do Poder Executivo diante da crise, citando nominalmente o prefeito. “A OS não paga os médicos e aí ninguém faz nada. A secretária não pode fazer nada, o prefeito Ramon Gidalte nada faz. Não estou entendendo. Tem que se fazer alguma coisa, tem que ajudar os médicos a receberem, porque eles trabalharam”, afirmou.

Rosimery também chamou atenção para a condição de contratação dos médicos, muitos deles como pessoa jurídica (PJ), sem direito a 13º salário ou outros benefícios trabalhistas. “Os médicos são PJs. Eles não têm 13º, não têm INSS, não têm direito a nada. Eles só têm direito no final do mês, quando deveriam receber pelo plantão prestado”, pontuou.

Em tom de cobrança direta, a vereadora se dirigiu à secretária de Saúde Luciana de Oliveira Dames freitas Garcia e reforçou a responsabilidade do prefeito Ramon Gidalte na condução da saúde municipal: “A secretária quer ficar sem pagamento? Não quer, né? Mas também não vai. Porque a senhora é servidora concursada, tem seus direitos resguardados por lei. E os médicos, que não têm essas garantias, ficam sem receber. E o prefeito Ramon Gidalte precisa dar uma resposta, porque é dele a caneta, é dele a responsabilidade sobre essa gestão.”

Durante o discurso, Rosimery elencou as datas que, de acordo com ela, configuram os três “calotes” dentro do mesmo governo: dezembro de 2022, janeiro de 2025 e janeiro de 2026, todos na gestão de Ramon Gidalte. “Gente, três calotes no mesmo governo? Ninguém quer calote. São canetadas, OS que vêm pra cá, que recebem e não pagam. E a secretária nada faz, o prefeito Ramon Gidalte também”, criticou.

A vereadora alertou ainda para as consequências diretas na assistência à população. Ela citou casos de especialistas que teriam pedido desligamento, inclusive um cardiologista, e questionou como fica o cidadão que chega ao hospital em situação de emergência. “Você chega ao hospital com seu filho, seu marido, sua avó? Chega lá, não tem médico. Vai resolver seu problema? Não vai. Porque o médico é o pilar do hospital”, afirmou.

Rosimery cobrou que a secretária de Saúde e o prefeito Ramon Gidalte saiam da “zona de conforto” e deem uma resposta clara aos profissionais e à população. “É urgente que a Secretária de Saúde e o Prefeito se manifestem. Nem que seja com uma nota oficial informando quando os médicos serão pagos, porque, no final das contas, quem sofre é a população, que fica sem atendimento, sem especialistas e sem segurança na saúde pública”, declarou.

Encerrando o discurso, a vereadora reforçou que saúde não pode ser tratada com descaso e resumiu o problema de forma contundente: “Saúde não pode ser tratada com descaso. Médico sem salário é hospital sem médico, e hospital sem médico é povo sem assistência.”

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