
A chegada de Washington Reis (MDB) ao grupo político de Eduardo Paes (PSD) causou forte desconforto na Baixada Fluminense. Apresentado como uma grande liderança estadual, Reis é visto na região de forma bem menos entusiasmada: ganhou o apelido de “espalha montinho”, porque, segundo relatos locais, prefeitos costumam se afastar discretamente quando ele aparece. Ainda assim, foi incorporado ao projeto de Paes como principal nome da articulação na Baixada e conseguiu emplacar como vice a própria irmã, que terminou em último lugar na disputa pela Prefeitura de Magé.
Na região, a movimentação foi recebida com estranheza. Ninguém entendeu bem a decisão de Eduardo Paes de se aproximar de Washington Reis, um político identificado com o bolsonarismo e que, de acordo com lideranças locais, dificilmente fará campanha para Lula – principal apoiador da candidatura de Paes ao governo do Estado.
Antes mesmo da oficialização da chapa em convenção partidária, a aliança Paes/Reis já provoca fissuras na Baixada Fluminense. O nome do ex-governador Anthony Garotinho, segundo colocado na última pesquisa de intenção de voto (Instituto Futura/100% Cidades, registrada no TSE sob o nº 08419/2026), em que aparece com 14,2%, passou a ser citado com frequência por atores relevantes da política local.
Na prática, nenhum político com peso na região demonstra disposição de seguir Washington Reis. Pelo contrário: já se articula abertamente um movimento para lançar Garotinho candidato ao governo. A ex-prefeita de Magé, Núbia Cozzolino, por exemplo, trabalha para viabilizar a filiação do ex-governador ao Democracia Cristã (DC) com esse objetivo.
Um experiente observador da política da Baixada avalia que a escolha de Reis dificulta o avanço de Paes na região:
“Penso que ele (Washington) tem uma história valorosa, mas há nomes melhores do que qualquer um da família dele para ser vice. Reis é um peso pesado demais por si só. Não em volume de votos, mas pela forma como tenta controlar os municípios da Baixada, como se tivesse cacife para isso. Os prefeitos da região não confiam nele, até porque ele costuma se colocar como adversário quando esses buscam a reeleição. Na minha visão, o Eduardo vai ter que equalizar isso. Como ele pode pretender ter apoio, por exemplo, em Magé, se se comenta que a família Reis já teria um nome para lançar lá em 2028, a vereadora Jane Pereira?”
Garotinho, por sua vez, já declarou estar decepcionado com Washington Reis e avisou que não participará da campanha de Eduardo Paes. O ex-governador, que consultou seus mais de 200 mil seguidores nas redes sociais sobre qual cargo deve disputar neste ano, ainda não anunciou sua decisão. No entanto, cresce na Baixada a pressão para que ele entre na disputa pelo governo, especialmente porque, na mesma pesquisa, ele apareceu com quase três vezes mais intenções de voto do que Washington Reis, que registrou apenas 5,7%.

































