Quando chove, a verdade aparece: Rio das Ostras revela falhas do governo Carlos Augusto

Situação de Emergência por chuvas intensas evidencia cidade vulnerável, infraestrutura defasada e uma administração refém de crises

A decretação de Situação de Emergência Nível II em Rio das Ostras, por meio do Decreto nº 4.608, é mais do que um ato administrativo: é a confissão pública de que a gestão do prefeito Carlos Augusto não consegue prevenir aquilo que já é previsível. As chuvas foram intensas, é verdade, com quase 190 mm em 24 horas em um dos pontos de medição. Mas não foi a primeira vez, nem será a última, que o município enfrenta temporais. O problema central não está na nuvem carregada, e sim em uma administração que continua tratando desastre como surpresa e não como consequência de anos de falta de planejamento urbano e de investimentos estruturais em drenagem.
Os alagamentos e inundações registrados em várias regiões não são meros “efeitos colaterais” da natureza. São o resultado direto de uma cidade que cresceu sem controle adequado de ocupação do solo, sem uma política séria de macrodrenagem e sem manutenção preventiva eficiente da rede pluvial. Quando o poder público, sob o comando de Carlos Augusto, só aparece com retroescavadeira, caminhão-pipa e equipe de limpeza depois que a água entra na casa das pessoas, estamos diante de um modelo de gestão que prefere remendar o estrago a evitar que ele ocorra. E isso se repete com impressionante regularidade.
O próprio decreto escancara a fragilidade da máquina pública ao admitir que os danos humanos, materiais e ambientais comprometeram parcialmente a capacidade de resposta do Município, exigindo apoio de outras esferas de governo. Mais uma vez, a Prefeitura de Carlos Augusto aciona o modo “emergência”: convoca voluntários, pede doações, dispensa licitações para obras e serviços “urgentes”. É um roteiro conhecido — e perigoso. A exceção virou regra. Em vez de obras planejadas, com licitação ampla e cronograma de longo prazo, o que se multiplica são intervenções emergenciais, sempre correndo atrás do prejuízo, sempre justificadas pelo imprevisto que, na prática, já não tem nada de imprevisível.
A população de Rio das Ostras não precisa apenas de decretos, fotos em redes sociais e discursos emocionados sobre o esforço das equipes. Precisa de uma gestão que trate a cidade como um organismo vivo, que exige planejamento contínuo, transparência e coragem para enfrentar interesses e rever erros históricos. Enquanto Carlos Augusto insistir em governar na base do improviso e da crise permanente, cada nova nuvem carregada será também uma ameaça política: a lembrança dolorosa de que o que falta não é alerta meteorológico, e sim seriedade na condução da coisa pública.

O espaço segue aberto para manifestação do prefeito Carlos Augusto.

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