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3 de abril de 2026 - 19:05
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Pressão por renúncia de Rodrigo Bacelar cresce para evitar “apagão” no governo do Rio

Saída do presidente da Alerj é vista por deputados como solução política para o impasse sucessório que pode deixar o Estado sob comando limitado do Tribunal de Justiça, em pleno ano eleitoral e com previsão de déficit de R$ 19 bilhões

No centro do tabuleiro político do Rio, Rodrigo Bacelar vira peça-chave para evitar um ‘apagão’ no governo em pleno ano eleitoral. Divulgação

Um novo cenário político começa a se desenhar no Rio de Janeiro. Segundo a coluna de Berenice Seara, ganha força nos bastidores da Assembleia Legislativa (Alerj) a pressão para que o deputado Rodrigo Bacelar renuncie à presidência da Casa, abrindo caminho para uma nova eleição interna.

A movimentação tem motivo direto: a iminente saída do governador Cláudio Castro do cargo, para disputar uma vaga ao Senado, pode provocar um curto-circuito institucional no Estado. Hoje, o Rio não conta com vice-governador, e o presidente em exercício da Alerj, Guilherme Delaroli, não foi eleito para a função, apenas a exerce interinamente — o que, pela interpretação dominante, o impede de assumir o governo.

Nesse vácuo, a chefia do Executivo estadual recairia sobre o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), desembargador Ricardo Couto de Castro. Ele, porém, já sinalizou que não pretende “governar de fato”, limitando-se a autorizar apenas despesas essenciais.

O cenário preocupa o meio político. Em um Estado que projeta um déficit de R$ 19 bilhões, um governo de “torneira fechada” em pleno ano eleitoral significaria, na prática, uma máquina pública operando no modo mínimo, com atraso em decisões estratégicas e paralisia de investimentos e programas.

Pelas regras, o presidente do TJ permaneceria no cargo até que a Alerj realizasse uma eleição indireta para escolher um governador-tampão. Mas esse processo já nasce sob forte risco de judicialização, com sinalizações de questionamento especialmente por parte do PT, o que pode prolongar ainda mais a indefinição.

Caso as disputas jurídicas se arrastem, o Rio corre o risco de passar meses sob um governo apenas formal, sem capacidade política plena para decidir sobre gastos, obras e políticas públicas. É esse risco que recoloca Rodrigo Bacelar no centro do tabuleiro.

Ao renunciar, ele abriria espaço para que a Alerj realizasse uma nova eleição para sua presidência, escolhendo um nome com plenas condições de assumir o Palácio Guanabara quando Cláudio Castro deixar o cargo. Parlamentares avaliam que, assim, o impasse seria solucionado pela política, dentro da própria Assembleia, reduzindo as chances de intervenção da Justiça e a insegurança institucional.

Nos bastidores, a avaliação é que, desta vez, a disputa não é apenas por poder, mas por garantir que o Estado não atravesse boa parte do ano eleitoral com um governo de funcionamento limitado e sem rumo claro.

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