A proposta de criação da Companhia de Desenvolvimento Empresarial de Casimiro de Abreu (Codec) chega à Câmara com discurso de modernização e promessa de atrair investimentos, mas embute o velho vício da política local: a multiplicação de cargos de livre nomeação. Como apontou o vereador Pedro Gadelha em vídeo nas redes sociais, dos sete postos previstos, somente presidente e vice-presidente se justificam como funções de confiança direta do prefeito. O restante – diretor administrativo, diretor financeiro, assistente e consultor jurídico – poderia e deveria ser preenchido por concurso público, garantindo equipe técnica estável, foco em política pública e proteção mínima contra o rodízio de apadrinhados a cada troca de governo.
Ao insistir em montar a estrutura da Codec com base em indicações políticas, o município não só coloca em risco a continuidade dos projetos ligados à zona especial de negócios, como também fragiliza o próprio regime de previdência dos servidores. Cargos comissionados contribuem para o INSS, enquanto servidores efetivos fortalecem o Iprev, que acabou de passar por reforma para tentar reequilibrar as contas. Ignorar esse dado e atropelar o debate na Câmara para aprovar cargos sem análise profunda é repetir a fórmula que transforma estatais em instrumentos de barganha, e não de desenvolvimento. Quando a gestão pública prefere loteamento a planejamento, a conta chega depois em forma de projetos interrompidos, estrutura inchada e mais uma oportunidade perdida.




























