MDB do Rio perde fôlego na nominata e assiste a debandada em meio à disputa por candidatos fortes

Enquanto Washington Reis não consegue atrair nomes de peso para a chapa proporcional, partido sofre baixas relevantes e vê o vereador mais votado de Duque de Caxias preparar saída em meio a queixas de perseguição política

A nominata do MDB para as eleições proporcionais deste ano no Rio de Janeiro está distante do objetivo traçado pelo presidente regional da legenda, o ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis, que sonhava em eleger oito deputados federais e seis estaduais. Apesar das articulações, Reis não conseguiu atrair nomes de peso, como o prefeito de Campos dos Goytacazes, Wladimir Garotinho, com quem já conversou diversas vezes. Reeleito pelo PP em 2024, Wladimir vai renunciar ao mandato nesta quinta-feira (2/4) para disputar uma vaga de deputado federal, ao que tudo indica concorrendo com o próprio pai, Anthony Garotinho, provável candidato pelo Republicanos, e hoje está no PL.

Além da dificuldade em trazer novos quadros, o MDB fluminense enfrenta baixas importantes, como as saídas do deputado Otoni de Paula e de Leonardo Picciani. Na esfera municipal, ganha destaque o caso do vereador mais votado de Duque de Caxias, Serginho Correa, o Sergio Caxias, reeleito em 2022 com 24.734 votos, que estaria prestes a deixar o partido. Fiel historicamente à família Reis, ele não estaria satisfeito com o grupo político e avalia migrar para PSDB ou PDT, que lhe abriram espaço para disputar uma vaga de deputado estadual.

Um dos motivos de maior desgaste é o fechamento do Centro Esportivo Samucão, inaugurado em 2020 no bairro Parque Paulista e batizado em homenagem ao pai do vereador, o radialista Samuel Correa. Serginho interpreta o fechamento como perseguição política, sobretudo porque pretende fazer uma dobradinha com o deputado federal Marcos Tavares (PDT), que tentará a reeleição.

Para observadores da cena política fluminense, a saída de Serginho tende a desfalcar de forma relevante a nominata do MDB para deputado estadual, agravando o quadro de esvaziamento da legenda no estado. Em meio à dificuldade de atrair “bons de voto” e conter a debandada, os planos de fortalecimento da sigla sob o comando de Washington Reis ficam ameaçados. O espaço segue aberto para manifestação dos citados na matéria.

 

Artigo anteriorMoraes impõe novas regras para compartilhamento de dados do Coaf
Próximo artigoJair Bittencourt pede exoneração da Secretaria de Governo do RJ em meio à crise política