
Em 2020, Itatiaia virou laboratório do que acontece quando o projeto pessoal fala mais alto que o município: Eduardo Guedes concorreu sub judice, venceu nas urnas, mas não levou. A sequência de recursos esticou a crise, atrasou a solução e só terminou com a eleição suplementar de 13 de março de 2022, quando o grupo de Guedes levou uma derrota dura — e ele acabou politicamente isolado, depois de ter tumultuado o processo como quem tenta ganhar no apito, não no voto.
Quatro anos depois, Itaguaí encena o mesmo roteiro a 145 km de distância. Rubem Vieira de Souza (Dr. Rubão) tentou em 2024 um terceiro mandato consecutivo, foi o mais votado, mas não teve a eleição validada. Ainda assim, recorreu, conseguiu assumir por cerca de cinco meses e agora segue vendendo a tese de que uma decisão “parecida” em outro processo garantiria sua volta — juntando alhos com bugalhos enquanto a cidade afunda num mar de incerteza, com gestão e futuro travados pela insegurança jurídica.
Nos bastidores, juristas avaliam que a chance de reversão é mínima. Entre os poucos aliados que ainda falam com frieza, a leitura é pragmática: 29.192 votos em 2024 poderiam ser capital para outro caminho, como uma candidatura à Assembleia Legislativa — mas a obsessão em impedir a eleição suplementar pode queimar o que resta. Itatiaia já mostrou o custo dessa estratégia: um ano e quatro meses de gestão interina, perda institucional e escândalos que acabaram em afastamentos, e até prisões. Itaguaí deveria estar discutindo solução — não assistindo a mais um capítulo de vaidade em forma de recurso.



























