Com uma população estimada pelo IBGE em cerca de 85 mil habitantes, Seropédica, na Baixada Fluminense, é apontada por lideranças locais como vivendo o pior momento político desde sua emancipação, em 1995. O principal alvo das críticas é a Câmara de Vereadores, que, segundo moradores descontentes, teria perdido sua autonomia e se transformado em uma espécie de “anexo” do Poder Executivo.
Sob a gestão do prefeito Lucas Dutra dos Santos, o município vem acumulando problemas graves, especialmente na área da saúde. Uma auditoria da Defensoria Pública, confirmada por inspeção do Cremerj, descreve um cenário extremamente precário na rede municipal. Usuários das unidades de saúde sob responsabilidade da Prefeitura reclamam de falta de estrutura, demora no atendimento e outros problemas que, segundo eles, não têm recebido a devida atenção por parte do Legislativo.
Reeleição com ampla base aliada
Nas eleições de 2024, Lucas Dutra ampliou sua força nas urnas e obteve 67,04% dos votos válidos, apoiado por uma coligação de 10 partidos. Apenas dois deles (PSD e PSB) não elegeram vereadores. Com uma base tão ampla em um poder que deveria atuar de forma independente, o prefeito, apontam críticos, passou a governar com ainda mais tranquilidade política.
Um dos movimentos mais comentados foi a escolha do presidente da Câmara. Para garantir alguém alinhado ao governo no comando do Legislativo, o prefeito articulou a ida do vereador Marcos Lomeu (PRD) para uma secretaria municipal, abrindo vaga para o suplente Bruno do Depósito, que acabou assumindo a presidência da Casa. Na prática, essa manobra daria ao governo um controle adicional: bastaria exonerar Lomeu do cargo no Executivo para que ele reassumisse o mandato e Bruno perdesse a cadeira de vereador.
Suplentes em série e questionamentos sobre independência
Além de Bruno do Depósito, também exercem mandato atualmente os suplentes Igor Bananeiro, Wattyla Cebolinha e Rose Alves. Eles ocupam as vagas dos vereadores Anderson Ferreira dos Santos, Jonathan Carlos de Souza Werneck e Thalys Lacerda, todos nomeados secretários municipais.
Como a Câmara de Seropédica é formada por 10 parlamentares, a presença de quatro suplentes e três titulares licenciados para cargos no Executivo deixa apenas seis vereadores no exercício pleno de seus mandatos originais. Na avaliação de lideranças e moradores mais críticos, essa configuração não tem se traduzido em independência política nem em uma fiscalização efetiva sobre as ações da Prefeitura.
As denúncias e reclamações relacionadas à saúde, somadas à percepção de uma Câmara submissa ao Executivo, alimentam a sensação de que a população está sem representação real em um dos poderes fundamentais do município.
Nota do blog:
O espaço permanece aberto para manifestação do prefeito Lucas Dutra dos Santos, dos vereadores citados e demais envolvidos, para que possam apresentar suas versões e esclarecimentos sobre os fatos mencionados.




























