
Nos bastidores da política fluminense, nunca foi segredo que o vice-presidente nacional do PT e prefeito de Maricá, Washington Luiz Cardoso Siqueira, o Quaquá, transita com mais facilidade entre lideranças de outras siglas do que entre correligionários de partido. A avaliação, feita por petistas históricos, é de que o estilo de comando do prefeito, marcado por imposições, tem ampliado o desconforto interno.
“Se não for como ele quer, não avança”, resume um integrante antigo da legenda, acrescentando que “Quaquá só é tolerado porque governa uma cidade com orçamento de R$ 7 bilhões”. O valor expressivo do caixa municipal é apontado por esse grupo como um dos principais fatores que mantêm o prefeito em posição de força dentro do partido, apesar das críticas.
Outro petista, também com longa trajetória na sigla, descreve um ambiente de crescente insatisfação com a conduta do prefeito, sobretudo após o episódio mais recente envolvendo o vice-prefeito João Maurício de Freitas, o Joãozinho. “Quaquá não conversa. Grita. Não submete suas ideias à apreciação. As impõe, e quem não dança no ritmo dele é retirado do baile”, afirma. Segundo ele, “o que temos visto, infelizmente, é uma espécie de Napoleão, um prefeito de personalidade difícil, que oscila entre o autoritarismo e a intolerância”.
O estopim da nova crise foi a decisão de Quaquá de esvaziar, de uma só vez, a estrutura política e administrativa do vice-prefeito. Em ato administrativo recente, o prefeito exonerou cerca de 30 ocupantes de cargos comissionados ligados ao gabinete de Joãozinho, provocando, na prática, o desmonte de toda a equipe de apoio do vice.
Nos corredores da prefeitura e entre lideranças locais, a avaliação é de que a medida teria um endereço político mais amplo. A iniciativa é interpretada como um recado direto ao ex-prefeito Fabiano Horta, também do PT, que tornou pública a intenção de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Horta é visto como um quadro de peso dentro do partido e mantém base própria em Maricá, o que, segundo interlocutores, incomodaria o atual prefeito.
Para esses petistas, a ofensiva sobre a estrutura do vice-prefeito não teria como alvo principal Joãozinho, mas funcionaria como uma forma de pressão e enfraquecimento do grupo político ligado a Fabiano Horta. O movimento expõe, mais uma vez, fissuras internas no PT de Maricá e levanta dúvidas sobre o grau de coesão da legenda no município, em um cenário de disputa por espaço e projeção eleitoral futura.
O espaço segue aberto para manifestação dos citados na matéria.

































