Bacellar, a sucessão frustrada e a vaga no TCE que virou miragem

Cotado para herdar o “mandato tampão” com o apoio de Claudio Castro, Rodrigo Bacellar viu a passagem pelo governo interino e a prisão em dezembro mudarem o jogo

Rodrigo Bacellar parecia ter o caminho aberto para se tornar o nome de confiança do governador Claudio Castro em um “mandato tampão”, o que lhe daria a vantagem de disputar as eleições de outubro já no cargo. Porém, poucos dias como governador interino bastaram para sua imagem se desgastar, especialmente após a crise envolvendo o então secretário de Transportes, Washington Reis.

Em seguida, a situação se agravou com a prisão. No dia 3 de dezembro, Bacellar foi detido pela Polícia Federal sob acusação de ter vazado informações sobre uma operação realizada em setembro, que resultou na prisão de TH Joias, investigado por organização criminosa, tráfico de drogas e contrabando de armas.

Até o momento, não há notícia de impedimento legal para que Bacellar volte a disputar eleições, desde que consiga uma legenda partidária. Ainda assim, o projeto político que ele mais desejava — uma vaga de conselheiro no Tribunal de Contas do Estado (TCE) — tornou-se bem mais difícil, justamente quando uma cadeira se abre com a saída de José Graciosa, condenado pelo STJ.

Para observadores da política fluminense, mesmo que Bacellar consiga se reeleger deputado, ele pode sair como um dos grandes derrotados do período por perder a chance de avançar para um posto de maior prestígio e estabilidade. Depois de uma ascensão rápida, ele agora terá de recalcular a rota, reduzir o tom e reconstruir apoios num ambiente em que muitos aliados costumam seguir mais os cargos disponíveis do que a lealdade.

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