Após denúncias e repúdio, prefeitura instala decoração de Natal às pressas em Casimiro de Abreu

Antes da adesão à ata, a decoração de Natal já estava guardada no pavilhão de esportes da Praça Feliciano Sodré, denunciam vereadores

Depois de muitas críticas, cobranças e até suspeitas de irregularidade na contratação, a Prefeitura de Casimiro de Abreu finalmente instalou a decoração de Natal na Praça Feliciano Sodré, na sede do município. A movimentação ocorreu após a fiscalização dos vereadores Lelei da Marmoraria, Rosimery Mangifesta e Pedro Gadelha, que estiveram no pavilhão da praça na tarde de segunda-feira (8) e encontraram toda a estrutura de iluminação e adereços natalinos já armazenada, parte dela isolada por cones, sem que houvesse, até então, qualquer processo licitatório formalizado e disponível à Câmara ou à população. Na sessão desta terça (9), os parlamentares levaram o caso ao plenário e ressaltaram que o material estava no município desde a última sexta-feira, antes da publicação do termo de adesão à ata, no valor de quase R$ 290 mil, além de apontarem que, em Silva Jardim, a iluminação foi inaugurada em 20 de novembro, enquanto em Casimiro a previsão é apenas para 11 de dezembro — com pagamento semelhante por 21 dias a menos de locação.

Da tribuna, Rosimery destacou que a crítica não é à ornamentação em si, mas à falta de planejamento e transparência nos gastos públicos, lembrando que o termo de adesão só foi publicado em 8 de dezembro, quando a estrutura já estava sob responsabilidade da Prefeitura. Lelei rememorou o episódio dos guarda-chuvas coloridos, ocorrido em 2021 e também contratado “de última hora” pela mesma Secretaria de Turismo, e questionou por que, se o Natal ocorre sempre na mesma data, a gestão insiste em atropelar o rito regular. Já Pedro Gadelha relatou que recebeu fotos de um caminhão descarregando o material no sábado, sem parecer jurídico sobre o aceite da ata, e afirmou que a publicação, em edição específica do Jornal Oficial, só ocorreu após a divulgação do vídeo em que os vereadores aparecem fiscalizando o pavilhão.

A pressão política ganhou reforço da Associação Comercial e Industrial de Casimiro de Abreu (ACINCA), que divulgou uma nota de repúdio em vídeo. Na manifestação, a entidade afirma que Casimiro “ficou sem luz e sem o brilho que move o comércio e o coração da comunidade”, enquanto outros distritos receberam “belas decorações”, a sede do município foi “esquecida”. Falando em nome de comerciantes, a ACINCA critica a “falta de planejamento e a desigualdade” na distribuição da ornamentação, lembra que o Natal é “mais do que enfeites: é respeito, fé e movimento na economia local” e conclui que Casimiro de Abreu “merece igualdade, merece luz e merece respeito”, defendendo que a situação sirva de reflexão para que, no próximo ano, a cidade volte a brilhar “nas ruas e no orgulho de ser casimirense”.

 

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