Aliados de Eduardo Paes veem resistência na Baixada Fluminense e temem desgaste com aposta em Washington Reis

Região com 13 municípios e cerca de 3 milhões de eleitores, maior que o colégio eleitoral de 11 estados brasileiros, mantém desconfiança em relação ao prefeito do Rio e à aliança dele com o ex-prefeito de Duque de Caxias, acusado de fisiologismo e ingerência política

Formada por 13 municípios e dona de um poder de fogo expressivo – cerca de três milhões de eleitores, um colégio eleitoral maior que o de 11 estados brasileiros –, a Baixada Fluminense é considerada estratégica em qualquer disputa majoritária no Estado do Rio. Ainda assim, lideranças locais afirmam que a região sempre foi vista “de rabo de olho” pelo prefeito do Rio e pré-candidato a governador pelo PSD, Eduardo Paes. A percepção predominante é de que Paes e seu grupo político mantiveram, ao longo dos anos, uma relação de distanciamento com a Baixada, que em resposta também não demonstra simpatia pelo prefeito da capital.

Esse quadro, na avaliação de analistas, pode se agravar com a recente aproximação entre Paes e o ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis (MDB), hoje apresentado como um de seus principais aliados na construção da candidatura ao governo. Reis é associado por críticos a práticas fisiológicas e a um estilo de articulação considerado invasivo em cidades vizinhas, o que alimenta a desconfiança de prefeitos e lideranças da região. Para muitos atores locais, a tentativa de transformar o ex-prefeito de Caxias em elo entre o PSD e a Baixada tende mais a gerar desgaste do que a somar votos.

Nos últimos anos, Washington Reis tentou ampliar sua influência para além de Duque de Caxias, com resultados modestos. Em 2020, atuou contra a reeleição do prefeito de São João de Meriti, Dr. João, e contra a eleição de Fernanda Ontiveros, em Japeri, sem sucesso. No mesmo pleito, lançou a irmã candidata à Prefeitura de Magé, mas ela terminou na sexta e última colocação, com menos de oito mil votos. Em 2024, voltou à carga em Belford Roxo, tentando atrapalhar o projeto de reeleição do prefeito Marcio Canella, trabalhando para tirar o MDB da aliança e chegando a indicar um candidato pela legenda, mas novamente não obteve o resultado esperado.

Para um observador atento à política da região, a estratégia pode se transformar em problema para Eduardo Paes. “Daqui a pouco a ficha do Eduardo vai cair e ele pode descobrir que, em vez de unir a Baixada Fluminense a seu favor, piorou as coisas, pois nenhuma liderança importante da região quer acompanhar Washington nessa, porque quem é do meio conhece bem seu jeito de fazer política, sua mania de pôr os interesses pessoais em primeiro lugar e a mania de querer se meter na casa dos outros. Eleger a irmã vice-governadora teria muito a ver com a ‘República de Xerém’ e nada com a Baixada”, afirma. O espaço segue aberto para manifestação de todos os citados na matéria, cujas respostas serão incluídas em eventual atualização do texto.

Artigo anterior“Saúde tratada com descaso”: vereadora denuncia atraso no pagamento de médicos em Casimiro de Abreu
Próximo artigoGracyanne Barbosa se filia ao Republicanos e mira vaga de deputada federal pelo Rio