Licitação da água marcada “na calada da folia” em Conceição de Macabu

O vereador Pedro Henrique criticou, em vídeo publicado nas redes, a decisão de retomar a licitação do serviço de água em Conceição de Macabu e realizar a abertura das propostas em 13 de fevereiro, uma sexta‑feira de carnaval. Para ele, não se trata de coincidência, mas de estratégia: em meio à folia, a população seria empurrada para um contrato longo, embalado por promessas de “modernização”, mas com impacto direto no bolso e na autonomia dos moradores.

Segundo o parlamentar, a modelagem privilegia o que chama de “máquina de cobrar”. Ele afirma que parte expressiva dos investimentos previstos para 35 anos seria destinada principalmente à instalação de hidrômetros, estrutura de medição e ampliação da cobrança, sem resolver problemas históricos de abastecimento. A cobrança de esgoto em 100% do valor da água, de forma presumida, poderia na prática dobrar a conta — “com o mesmo serviço ruim de sempre”, diz.

Pedro Henrique também contesta a narrativa de que quem tem poço artesiano ficaria protegido. Ele aponta que, com uma concessionária privada, cresce a pressão por regularização ambiental e risco de restrições ao uso dos poços, ampliando custos. Para o vereador, entregar o saneamento por 35 anos é uma “sentença” que atravessa governos e gerações, e o calendário carnavalesco serve para reduzir o debate quando a cidade mais precisaria estar atenta.

Nota da Redação
Até o fechamento desta matéria, o prefeito Valmir Lessa não comentou as denúncias feitas pelo vereador Pedro Henrique. O espaço segue aberto para manifestação da Prefeitura de Conceição de Macabu.

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