MPF vai à Justiça contra aterro irregular na Lagoa de Araruama

Órgão cobra ação imediata após anos de omissão do poder público em área federal protegida em Arraial do Cabo

Um aterro irregular em área da União, às margens da Lagoa de Araruama, levou o Ministério Público Federal (MPF) a ajuizar ação com pedido de urgência contra o município de Arraial do Cabo (RJ), a União e os ocupantes da área. O alvo são aterros, entulhos, cercas e construções erguidas na localidade de Camboinhas, próxima ao condomínio Rosa dos Ventos, em plena Região dos Lagos.

Investigação do MPF aponta que o local é terreno de marinha, bem da União, inserido na Faixa Marginal de Proteção (FMP) e em Área de Preservação Permanente (APP), o que torna a ocupação ainda mais ilegal. As imagens reunidas mostram que o aterramento começou pelo menos em dezembro de 2013, com despejo de entulho, movimentação de terras e construções clandestinas. Mesmo assim, União (via Secretaria de Patrimônio da União – SPU) e prefeitura permaneceram em “inércia continuada” por quase uma década, segundo a ação.

O procurador da República Leandro Mitidieri afirma que, após nove anos de investigação, não houve medidas efetivas para reparar o dano ambiental nem para desocupar o trecho indevidamente aterrado. O MPF pede liminar para desocupação imediata da área, retorno da União à posse do terreno, remoção total do aterro e das construções irregulares, apresentação e execução de um Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD) e condenação dos responsáveis a pagar R$ 500 mil cada por dano moral coletivo. Requer ainda que o município deixe de emitir cadastros, licenças e alvarás na área, cancele os já concedidos e faça fiscalização trimestral.

 

 

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