A narrativa é a de sempre: “perseguição” do Supremo Tribunal Federal (STF) contra a extrema direita, repetida toda vez que um aliado entra na mira de investigações ou mandados de busca e apreensão. Mas a Operação Galho Fraco, deflagrada pela Polícia Federal no dia 19 e que teve como alvos os deputados Carlos Jordy e Sóstenes Cavalcante (ambos do PL-RJ), vai além do discurso e aponta suspeitas de desvio de recursos da cota parlamentar por meio de empresas de fachada, especialmente em contratos de locação de veículos. Segundo a PF, os dois teriam desviado dinheiro público “em benefício próprio, mediante os servidores comissionados no exercício das funções”, com participação da empresa Harue Locação de Veículos Ltda, ligada a um assessor de Jordy.
O primeiro a vestir a carapuça da “perseguição” foi Carlos Jordy. Em seguida, Sóstenes passou a dizer que estaria sob “marcação implacável”. Conhecido nos bastidores como a voz do pastor Silas Malafaia na Câmara dos Deputados, o parlamentar reagiu após a PF apreender R$ 430 mil em espécie no flat em que reside em Brasília. Ele apressou-se em afirmar que o dinheiro seria fruto da venda de um imóvel em Minas Gerais e que não tivera tempo de ir ao banco, mas esbarrou em um dado incômodo: em 2022, ao registrar sua candidatura à reeleição, declarou à Justiça Eleitoral possuir apenas R$ 4.926,76 em bens.
Incomodados com decisões judiciais apenas quando não atingem adversários, deputados do PL voltaram suas críticas, desta vez, não a Alexandre de Moraes, mas ao ministro Flávio Dino, responsável por autorizar os mandados cumpridos pela PF. Além das buscas e apreensões, Dino determinou a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático de pessoas físicas e jurídicas investigadas por suspeita de peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro, com indícios de contratos simulados de locação de veículos e pagamentos sem qualquer registro oficial.
O espaço segue aberto para manifestação dos citados na matéria.




























