O prefeito de Casimiro de Abreu, Ramon Gidalte, publicou nesta terça-feira (9) a Portaria 884/2025, que atinge mais de 400 ocupantes de cargos comissionados da Prefeitura. O texto é um amontoado de “considerandos” burocráticos, embalado como mera revisão periódica de atos de provimento, mas cuidadosamente escrito para não explicar, com transparência, quem será sacrificado, quem será preservado e a serviço de qual projeto político essa canetada está sendo dada. No papel, parece gestão; na prática, é uma decisão que ninguém consegue entender por critérios claros.
Mais eloquente que qualquer justificativa oficial é o calendário escolhido: embora assinada agora, a portaria só começa a produzir efeitos em 1º de janeiro de 2026, o que expõe o caráter político do movimento. Não soa como ajuste administrativo, e sim como jogada de xadrez para reorganizar o tabuleiro de aliados e manter o controle da máquina pública longe do olhar do cidadão comum. Em vídeo nas redes sociais, o vereador Pedro Gadelha diz estar “surpreso e preocupado”, lembra que o documento tem mais de dez páginas e questiona se se trata de manobra política ou de suposto ajuste orçamentário. Tudo isso às vésperas do Natal, quando trabalhadores contam com 13º, férias e bonificações: em Casimiro, o “presente de Natal” que o prefeito reserva a mais de 400 comissionados é o aviso de que, a partir do primeiro dia de 2026, estarão sem função.
Gadelha afirma que pretende tornar público o conteúdo integral da portaria para que a população saiba exatamente quem será atingido e cobra explicações formais da gestão municipal, defendendo o direito de servidores e cidadãos à transparência. Enquanto o prefeito se esconde atrás de jargões administrativos e silêncio público, quem paga a conta desse pacote natalino, mal embrulhado e sem nota explicativa, são as centenas de famílias que entram nas festas sem saber o que as espera no Ano Novo.




























